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Bahia projeta protagonismo regional em encontro do Registro de Imóveis em Goiânia

Com foco na integração institucional e no enfrentamento do passivo de matrículas manuscritas, Ariba defende a união federativa como alicerce para o Planejamento Estratégico do setor

O Registro de Imóveis brasileiro atravessa um momento em que a eficiência tecnológica não pode mais ser dissociada da capilaridade regional. Durante a 5ª Reunião de Alinhamento Institucional do Registro de Imóveis, realizada nos dias 23 e 24 de março no Transamérica Collection Hotel, em Goiânia, a Bahia posicionou-se como voz fundamental para o sucesso do planejamento estratégico do setor.

No fórum, que reuniu as cúpulas do Registro de Imóveis do Brasil (RIB), do Instituto de Registro Imobiliário do Brasil (IRIB) e do Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (ONR), a mensagem apresentada pela Associação de Registro de Imóveis da Bahia (Ariba) foi que a modernização do sistema registral só será plena se contemplar as assimetrias e as riquezas de cada estado da federação.

Karoline Sales, presidente da Ariba, subiu ao palco com um chamado à pluralidade, enfatizando que o cumprimento das metas nacionais depende do engajamento de cada registrador, do interior às capitais. “Vim a Goiânia para fazer um chamado: todos os estados existem e todos são essenciais para que este planejamento estratégico saia do papel”, afirmou. Para ela, o avanço da categoria exige que o profissional do Direito traga seu “tesouro” — o talento e a matéria-prima local — para o esforço coletivo. “Ou deixamos a atividade registral e vamos embora, ou ficamos, nos unimos, nos profissionalizamos cada vez mais e construímos o melhor Registro de Imóveis do mundo”, sentenciou a presidente, reforçando o tom de urgência que permeia as diretrizes da Carta de Goiânia.

A estratégia baiana, no entanto, não se resume ao discurso. O estado tem investido em preparar o terreno institucional, citando como exemplo a imersão realizada em dezembro de 2025 no Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Mais recentemente, uma visita técnica às sedes das instituições nacionais, em São Paulo, garantiu um apoio de peso: a Corregedora do Foro Extrajudicial do Estado da Bahia, desembargadora Pilar Célia Tobio de Claro, assumiu o compromisso de ser voz ativa em defesa do extrajudicial junto ao Colégio de Corregedores (CCOGE). Esse alinhamento é visto como vital para superar desafios operacionais críticos, como a transição definitiva para o meio digital exigida pelo Provimento 143.

Inovação e o “Oscar” das boas práticas registrais

Um dos pontos altos da participação baiana no evento foi o detalhamento de um projeto de premiação nacional voltado a disseminar casos de sucesso entre as unidades. Greg Valadares, diretor de Regularização Fundiária Rural do RIB e da Ariba, detalhou a concepção de um prêmio que busca identificar e compilar iniciativas que gerem resultados reais, fugindo de ideias meramente teóricas. “A intenção é exatamente que tenhamos um lugar onde possamos ter todas essas boas práticas compiladas para que os outros colegas ou as outras associações possam replicar”, explicou Greg, destacando que a replicabilidade é o coração da premiação.

O projeto, idealizado pela diretora de Regularização Fundiária Urbana do RIB, Clícia Roquetto, prevê um rito rigoroso de seleção. Uma comissão de sete representantes, majoritariamente externos ao âmbito registral para garantir a imparcialidade, julgará os inscritos com base em critérios objetivos. O lançamento oficial do regulamento será feito em 1º de maio, com a entrega dos prêmios em Salvador, entre 28 e 30 de outubro, quando os vencedores serão anunciados em um formato que promete a emoção de grandes premiações internacionais.

O desafio do passivo manuscrito e o horizonte

Apesar do entusiasmo com os projetos de inovação, a delegação da Bahia não ignorou as dificuldades técnicas. Karoline Sales ressaltou o gargalo histórico das matrículas manuscritas, que demanda ferramentas robustas de extração de texto e suporte tecnológico contínuo das associações nacionais. A superação desse passivo é condição inegociável para que a digitalização total deixe de ser uma meta estatutária e se torne a realidade do balcão.

Ao encerrar sua participação, a Bahia reforçou o compromisso com a unidade institucional, projetando os próximos passos para a 6ª Reunião de Alinhamento Institucional, a ser realizada na Bahia. O movimento iniciado em Goiânia sinaliza que o Registro de Imóveis do futuro está sendo construído sob a premissa de que a segurança jurídica e o desenvolvimento econômico do Brasil não podem prescindir de um sistema que seja, ao mesmo tempo, tecnológico, humano e profundamente federativo.

Por Luana Lopes
Assessoria de Comunicação da Ariba


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